Na homilia de hoje, Papa comentou o espírito de paz que o leva até Assis, onde líderes religiosos estão reunidos em prol da paz.
Da Redação, com Rádio Vaticano
Francisco destaca que não existe deus da guerra; conflito é obra do maligno / Foto: L’Osservatore Romano
Antes de partir para Assis nesta terça-feira, 20, o Papa Francisco
celebrou a Missa na capela da Casa Santa Marta. Na homilia, explicou com
que espírito partiu para a cidade de São Francisco.
“Não existe um deus da guerra”, disse o Papa, explicando que a
guerra, a desumanidade de uma bomba que explode fazendo mortos e
feridos, fechando a estrada para a ajuda humanitária que não pode chegar
até as crianças, aos idosos e aos doentes é obra do maligno, que quer
matar todo mundo. Por isso, é necessário rezar, e também chorar pela
paz, todas as religiões unidas na convicção de que “Deus é Deus de paz”.
“Hoje, homens e mulheres de todas as religiões, iremos a Assis. Não
para fazer um espetáculo: simplesmente para rezar e rezar pela paz”,
foram as primeiras palavras do Papa na homilia. E em todos os lugares,
como pediu o Papa numa carta a todos os bispos, hoje foram organizados
encontros de oração que convidam os cristãos, os fiéis e todos os homens
e as mulheres de boa vontade, de qualquer religião, a rezar pela paz,
já que – exclamou novamente o Papa – “o mundo está em guerra! O mundo
sofre!”
“Hoje, a Primeira leitura termina assim: ‘Quem tapa os ouvidos ao
clamor do pobre, também há de clamar, mas não será ouvido’. Se nós hoje
fechamos os ouvidos ao clamor desta gente que sofre sob as bombas, que
sofre a exploração dos traficantes de armas, pode ser que, quando caberá
a nós, não obteremos respostas. Não podemos fechar os ouvidos ao grito
de dor desses nossos irmãos e irmãs que sofrem pela guerra”.
A guerra começa no coração
O Papa afirmou que as pessoas não veem a guerra; elas até se assustam
quando há algum ato de terrorismo, mas isso nada tem a ver com o que
acontece naqueles países, naquelas terras onde dia e noite as bombas
caem e matam crianças, idosos, homens e mulheres. “A guerra está
distante? Não! Está muito perto, porque a guerra atinge a todos, a
guerra começa no coração”.
“Que o Senhor nos dê paz ao coração, nos tire qualquer vontade de
avidez, de cobiça, de luta. Não! Paz, paz! Que o nosso coração seja um
coração de homem e mulher de paz. Além das divisões das religiões:
todos, todos, todos! Porque todos somos filhos de Deus. E Deus é Deus de
paz. Não existe um deus da guerra: aquele que faz a guerra é o maligno,
é o diabo, que quer matar todos”.
Sentir vergonha
Diante disso não podem haver divisões de fé, reitera Francisco. Não
basta agradecer a Deus porque talvez a guerra “não nos atinge”. Sim,
agradeçamos por isso – disse – mas pensemos também nos outros.
“Pensemos hoje não somente nas bombas, nos mortos, nos feridos; mas
também nas crianças e idosos a quem a ajuda humanitária não chega com
alimentos e remédios. Estão famintos, doentes! Porque as bombas impedem
isso. E, enquanto hoje rezamos, seria bom que cada um de nós sentisse
vergonha. Vergonha disso: que os humanos, os nossos irmãos, sejam
capazes de fazer isso. Hoje, dia de oração, de penitência, de lágrimas
pela paz; dia para ouvir o grito do pobre. Este grito que abre nosso
coração à misericórdia, ao amor e nos salva do egoísmo”.
Fonte Canção Nova

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